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Resenha #17: Precisamos Falar Sobre Kevin - Lionel Shriver

Precisamos Falar Sobre o Kevin
Título Original:  We Need to Talk About Kevin (2003)
Edição: 2
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580571509
Ano: 2012
Páginas: 464
Tradutor: Beth Vieira e Vera Ribeiro

Sinopse: 

Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.

Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o "sociopata inatingível" que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.


Resenha:

 “(…) uma das coisas que me impelem a escrever é o fato de ter a cabeça entulhada com todas as pequenas histórias que nunca lhe contei.” (Pág. 22)






Desde que me entendo como leitor (leitor voraz), desde a primeira vez que ouvi falar desse livro e até mesmo quando me ouvi pronunciando esse título, senti necessidade extrema de lê-lo. Nem precisei recorrer a sinopse para saber que se tratava de um livro com grande genialidade, soube por intuito, assim, de cara que ele iria me tocar. Bem, eu o li,  e se querem saber: sim, é muito bem escrito.

O livro é nada mais do que um amontoado de cartas organizados cronologicamente, iniciando em 8 de novembro de 2000 e finalizado em 8 de abril do ano de 2001. Por meio dessas cartas conhecemos Eva Khatchadourian, a mulher responsável por escrever as já mencionadas cartas, dedicadas a seu querido marido Franklin.
Sendo uma mulher bem sucedida, dona de uma empresa de viagens e também escritora de guias de viagens, Eva não se imaginava mãe, só que por ironia, decide embarcar nessa nova experiência da maternidade com o seu marido típico americano Franklin. No entanto, ela não esperaria gerar uma criança tão fria e tão avessa as demais; um psicopata.
Suas cartas vão relatar o tempo que viveu ao lado do marido, partes das experiencias de viagens e a criação dos seus filhos (Kevin e Célia), analisando os pormenores do seu relacionamento com sua família na tentativa de procurar entender quais os verdadeiros motivos levaram seu filho a cometer as atrocidades que fez.

Kevin, desde que nasceu já se mostrou ser peculiar, e com o desabrochar da adolescência, isso foi ficando cada vez mais evidente. A princípio, podemos dizer que foi a criação que os pais deram que o tornou um jovem frio e calculista, mas Eva descreve cada detalhe de maneira magistral que fica difícil achar que o garoto tenha sido influenciado por uma má crianção. Tendo uma família rica, com direito a tudo do bom e do melhor, um jovem tem tendência a seguir uma vida de acordo com os limites da lei (há excessos, como é o caso) o que nos leva a crer que esse lado macabro já veio de nascença.

Precisamos Falar Sobre Kevin é um livro de grande sensibilidade. Temos uma mãe que lutou do seu jeito para melhorar o comportamento do filho, mas que não conseguiu sustentar sua família como deveria ser. Podemos até achar ela egoísta, mas em suma, notamos que ela abriu mão de muito em nome da família, e eu não acho isso nem um pouco egoísta.



Lionel Shriver me pegou de jeito com esse livro, em momentos fique esbabacado e me senti esbofeteado por sua escrita rebuscada e crua. Às vezes com palavras que não costumam está em meu vocabulário, mas que de forma alguma tirou o brilho da obra, pelo contrário, fez reluzir mais deixando a narrativa lindamente encantadora e com um desejo incessante de quero mais, tanto é que ao findar o livro, já senti a necessidade de o reler.

O livro nos mostra o quão pode ser difícil lidar com problemas que estão dentro de nossa própria casa, mesmo que não sejam nas mesmas circunstâncias (com massacres e crimes). Nem sempre podemos segurar o inevitável, mesmo assim, ficamos com aquele velho pensamento "E se tivéssemos cruzado a esquerda ao invés da direta, será que chegaríamos em outro lugar?" Fica difícil responder quando não conhecemos esse lugar, pois bem sabemos que vários caminhos podem dá em um mesmo lugar se tivermos conhecimento da região, porém, como Eva era mãe de primeira viagem, ela não tinha tanto conhecimento assim, será que ela poderia ter feito diferente?

A diagramação do livro está perfeita, fonte de tamanho agradável e o papel utilizado é o chambil avena (amarelado), um os melhores. Não encontrei nenhum erro, ou seja, os revisores estão de parabéns.



Esse livro está mais do que recomendado, mas eu dou um pequeno conselho: tenha paciência com ele, leia com carinho, calma e, acima de tudo, sem pressa. Deguste-o como um prato delicioso que você não quer que acabe nunca e aproveite cada detalhe.


Filme:

O romance ganhou adaptação no ano de 2011 e foi estrelado por Tilda Swinton (Eva), John C. Reilly (Franklin) e Ezra Miller (Kevin) sob a direção de Lynne Ramsay.
Confiram o trailer:






Até mais ver,
Pedro S.

14 comentários:

  1. Oi, Pedro!!!

    Nossa, que medo desse Kevin, diabólico esse menino.
    O livro parece ser bem denso. Fiquei curioso para ler.
    Nunca ouvi falar do filme '.' falar a verdade descobri esse livro este mês por um amigo.
    Parabéns pela leitura e resenha.

    Abraços!
    Encantos Paralelos.

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  2. Um dos livros que estão no meu topo de desejados @_@ e sua resenha fez ele subir mais uma casa :3
    Não sabia que tinha um filme hm irei assistir depois.
    ^^ Ótima resenha

    http://www.masquelivro.com/

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  3. Oi Pedro, tudo bom?!

    Eu já queria ler esse livro desde a capa antiga que ele tinha - que era bem diferente de todas as capas que eu já tinha visto - você chegou a vê-lo com a capa antiga? Não quis assistir ao filme ainda, porque quero ler o livro antes. Adorei a sua resenha! Ficou incrível. Só aumentou a minha vontade de lê-lo outra vez. Parabéns!!

    Beijos, Rob

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  4. Oi Pedro, tudo bem?

    Já ouvi muitos comentários sobre esse livro e imagino que seja uma leitura bem densa e complexa. Não assisti o filme. Mas uma coisa é verdade: lhe dar com problemas dentro de casa é mesmo bem complicado.

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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  5. Ola Pedro ainda não li nem assisti ao filem tem bastante polêmico envolve o filme sociopatas, e uma mulher lutando por seu filho. Já li muitos elogios a esse filme . Vou colocar em minha lista para leitura. abraços

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  6. Não sabia que o livro era narrado através de cartas não! Acho que isso só me deixaria mais aterrorizada, por acompanhar os pensamentos dessa mãe. Não tenho estômago pra essas histórias de crianças psicopatas não, já li um livro que me afetou muito, prefiro evitar o tema.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  7. Esse não é o livro que tem um garoto usando uma mascara de bicho numa capa em preto?
    Sempre vi esse livro nas promoções e achei meio aterrorizante, motivo pelo qual nunca me interessei por ele. Mas essa resenha muda tudo. Achei a história interessante! O fato dele ser contado em cartas e sobre a ótica da mãe devem fazer toda a diferença, dando um ar mais dramático ao livro. Imagina a cabeça da mãe de um psicopata?! Arg, difícil até de pensar..

    Beijiinhos ;*
    Andressa - Blog Mais que Livros

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  8. Oi, Pedro!
    Eu tenho uma prima que é apaixonada pela Lionel e tem/leu todos os livros dela. Na última vez que conversamos, ela me contou sobre esse livro, porque eu quero ler, mas ainda não me sinto preparada; pelo menos sabendo alguns spoilers acho que consigo encarar melhor a leitura. Achei engraçado que ela falou o mesmo que vc, pra ler aos poucos, de preferência com algumas pausas pra respirar e digerir a história, que não dá pra ler de uma vez só. O livro me interessa, mas confesso que tenho um certo "medo", histórias com psicopatas me causam aflição. Prefiro a capa original, acho que ela é muito mais significativa com o menino que tem cabeça de lobo.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  9. Olá pedro,
    eu fico fascinada quando a leitura se trata de um mistérios e suspense, onde o assunto esta a volta de um psicopata. Adoro descobrir o que o levou a ser assim, o porque, por menores os detalhes eu amo. E esta leitura realmente me despertou interesse por ele.
    E vou seguir seu conselho, de ler devagar, sem pressa para poder digerir e analisar melhor os fatos.
    Espero me surpreender com o caso que este livro esta trazendo, e acho que sera bastante prazeroso e bem assustador.
    Adorei a resenha!

    Beijokas Ana Zuky

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  10. Oi Pedro, tudo bem? Já conhecia o livro, acho que todos conhecem, mas nunca tinha parado para ler uma resenha dele... gosto bastante desse tipo de história, e apesar de não curtir muito livros em formato de carta, acho que vou querer ler esse. Deve ser uma história bem densa e que nos faz nos perguntar uma série de coisas. O filme também parece ser muito bom, vou assisti-lo.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  11. Olá

    Ainda não li o livro mas já vi o filme e é maravilhoso em vários aspectos, tanto em atuação que eu acho que seja o ponto mais forte de tudo, quanto roteiro e direção. Prefiro a capa antiga, aquela em preto e branco, se eu conseguir um dia pretendo comprar o livro com ela. Fiquei feliz em saber que é bem escrito e envolvente. Já está na lista há tempos!

    Abraço!
    www.umomt.com

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  12. Oi Pedro, tudo bem??
    Achei a história muito pesada, não entendo porque isso acontece e desconfio que o motivo seja devastador e cruel. A leitura não iria me fazer bem, apesar da qualidade de texto. Só por esse motivo não o leria.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  13. Oieee, eu já ouvi falar muito sobre esta obra, confesso que não tenho vontade de ler o livro, mas arriscaria a assistir ao filme, acho que iria gostar, mas somente do filme, não tenho vontade de ler o livro, gostei da sua resenha, nunca tinha lido nenhuma desse livro, valeu pela dica, Abraços.

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  14. Oiee,
    confesso que não é o gênero que costumo ler ou ver o filme, mesmo que não seja de terror, contudo escreveu de uma forma que estingou minha curiosidade e fiquei com vontade de conhecer a estória.

    Beliscões da Máh <3

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