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Resenha #338: As Coisas que Perdemos no Fogo - Mariana Enriquez

Título: As Coisas que Perdemos no Fogo
Autor: Mariana Enriquez
Título original:  Las Cosas Que Perdimos En El Fuego (2016)
Tradução: José Geraldo Couto
Editora: Intrínseca
Edição: 1
ISBN: 9788551001448
Gênero: Contos argentinos
Ano: 2017
Páginas: 192

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Avaliação




Resenha



     A jornalista e escritora argentina Mariana Enriquez, apesar de já ter sete livros publicados, nunca teve uma obra traduzida para o português até então. Para não dizer que nada, o conto que dá título a essa coletânea e outro chamado "O Poço" já foram publicados em e-book pela editora e-galáxia, na coleção "formas breves", e só.
São no total doze contos que vão preencher as páginas desta obra com histórias para nos deixar inquietos, tirar-nos do lugar comum e nos transportar para as favelas e os lugares mais sórdido da Argentina.
"O menino sujo", o primeiro conto, é sobre uma mulher de classe média que vive em um dos bairros mais pobres da Argentina, ela, a narradora do conto, sente uma obsessão por um garoto de rua que desaparece dentro do bairro, sendo que no dia anterior ele a havia procurado pedindo ajuda sobre o desaparecimento de sua mãe. Neste conto, a autora traz um pouco desse cunho religioso, relacionado a tradições de sacrifícios e possíveis relações com o desaparecimento da criança. O final mais parece uma reportagem da vida real.

"Os anos de Intoxicação" traz uma narrativa ambientada nos anos 80, início dos 90, sobre uma amizade inseparável e muito íntima de duas amigas que vivem intensamente a fase da adolescência regrada a substancias alucinógenas. A autora explora aqui os pontos extremos de indivíduos inconsequentes, onde mesmo que já estejam no precipício do abismo, um passo a mais nunca deixará de ser o bastante.

Contos como "A casa de Adela" dão à coletânea um ar de horror. Apesar de ser histórias de casas tradicionais assombradas e/ou narrativas que aparentemente são batidas, a autora consegue trazer passagens que causam arrepios ao amantes do gênero.

"O quintal do vizinho", um dos que tem mais imagens monstruosas, é sobre uma jovem que presta serviço social a crianças órfãs. Seu olhar atencioso pelas crianças em situação de perigo a faz enxergar um garoto no quintal vizinho acorrentado a uma imensa corrente. Aqui, entra o toque de realismo mágico e a confiabilidade na visão da narradora, para o leitor, se torna turva e muitas vezes dúbia de acreditar.

Talvez o conto que mais vá assustar e deixar com sentimentos de não poder fazer nada para alterar o final do curso se chama "Plito clavó un clavito: uma evocação do Baixinho Orelhudo", sobre um guia de passeios turísticos pelos lugares onde ocorreram os assassinatos mais atrozes da cidade. No entanto, um dos assassinos de crianças. morto há anos, acaba aparecendo para esse homem inexplicavelmente. Em casa, a relação com a esposa não anda muito bem e com a chegada do bebê coisas sinistras podem por em cheque o futuro da família.

"As Coisas que perdemos no fogo" é a história que fecha a obra, e traz uma série de mulheres vítimas de violência domestica, por motivos distintos, mas que sofreram sequelas das queimaduras. Assim, um grupo de ativistas decidem começar a criar fogueiras afim de queimar as mulheres tendo como um dos objetivos, a queima da beleza que muitas vezes as tornam objetos de desejos dos homens. 
Estes foram alguns dos contos que dão uma ideia sobre os assuntos abordados pela autora. Pela primeira vez vejo uma coletânea que tem um fio condutor que enquadra todos os contos no mesmo tema. Há sempre um ar de sinistro, de fantástico e estranho nas narrativas de Mariana Enriquez. Um mistério insolúvel. Fica na mente do leitor as teorias que possam vir a solucionar os contos que são na verdade grandes desafios mentais que serve nada mais que para revelar as mazelas (não só da Argentina), a violência em várias esferas, pobreza extrema e vícios, como em drogas.

Fica aqui a recomendação de uma ótima coletano a de contos aos amantes do gênero e aqueles que gostariam de conhecer uma nova autora latino-americana.

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