Nos siga no Instagram! TOP 5: coisas para se fazer em um dia de tédio Desventuras em Série #1: Mau Começo - Lemony Snicket Resenha #229: Era dos Extremos - Eric J. Hobsbawm
0

Resenha #301: Bartleby, o Escritvão - Herman Melville

Título: Bartleby, o Escritvão
Autor: Herman Melville
Tradutor: A. B. Pinheiro de Lemos
Editora: José Olympio
Edição
ISBN: 9788503013116
Gênero: Novela
Ano: 2017
Páginas: 96

Adquira seu exemplar aqui!
Adicione esse livro ao Skoob 

Avaliação:  




RESENHA



"Bartleby, o Escritvão", é uma novela escrita pelo autor Herman Melville e publicada originalmente em duas partes na revista americana Putnam's Magazine no ano de 1853 que ganha uma nova edição brasileira pelo selo José Olympio do Grupo editoral Record.



Na obra, somos apresentados a um advogado, sexagenário, dono de um escritório em Wall Street, que tem uma vida tranquila. Ele tem dois amanuenses excêntricos a seu serviço (Turkey e Nippers) e um aprendiz chamado Ginger Nut. Porém, ele resolve contratar um novo escrevente, e é quando aparece Bartleby. Um jovem "polidamente delicado, lamentavelmente respeitavel, irremediavelmente desamparado" (p. 27) que a principio faz o trabalho de maneira espantosa, do seu jeito silencioso e privado. No entanto, o rapaz logo se nega a realizar as atividades que o seu chefe lhe impõe, proferindo as palavras "Preferia não fazê-lo". O chefe tenta demiti-lo, mas essa demissão vai ficando para o amanhã. Então vamos acompanhando a inquietude e as analises do chefe em relação ao seu funcionário e a sua falta de empatia.
"Bartleby, o Escrivão" é um texto curto, sem muitos cenários e conflitos. Por ser narrado em primeira pessoa, não sabemos muito o que se passa dentro do rapaz. A situação nos passa a mesma inquietude do advogado e principalmente em relação ao personagem Bartleby que aos poucos demonstra que está sendo tomando por sentimentos maus e se fechando em uma concha que não lhe permite fazer nada além de ficar em seu canto. Ele é uma cara solitário, que trabalha sozinho e antes de trabalhar no escritório, ele trabalhava com cartas, arquivo morto, correspondências carregando histórias que nunca chegaram a seus destinatários.
Às vezes, há coisas que a gente não quer de jeito algum fazer, mas nem sempre temos a coragem de negar uma prestação de serviço, e por conveniência acabamos fazendo. Seria bom poder dizer, nesses momentos, a mesma frase que o Bartleby. Talvez, esse sentimento de negação do personagem possa ter se dado pela sua grande atividade e dedicação no início do trabalho, o que foi saturando o escrivão por ser algo repetitivo e sem tanto sentido. 
É uma obra muito rápida de ser lida, mas para digerir e com significados do individuo e a vida social. Uma das melhores histórias curtas que já li e que consegue ao mesmo tempo ser profunda e divertida, mas de um jeito sombrio, porque a cada página vemos que estamos caindo em um abismo. A principio, fiquei curioso com o Bartleby, achei até que fosse um trapaceiro, só que fui me sentindo representado em sua solidão e sentindo a tristeza desse personagem. Mesmo não querendo realizar sua tarefa, ele consegue ser delicado, tem uma passividade que além de nos colocar em sua pele, nos transporta para o narrador que se pergunta o que está acontecendo. 

Realmente, é um livro para se ler e reler, pois nos deixa algo que é difícil de traduz, apesar de sentirmos.


Até logo,
Pedro Silva!


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentário!