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Resenha #264: Rio-Paris- Rio - Luciana Hidalgo

Título: Rio-Paris- Rio
Autor: Luciana Hidalgo
Editora: Rocco
Edição: 1
ISBN: 978-85-325-2989-3
Gênero: Romance brasileiro
Ano: 2016
Páginas: 160

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Resenha


A escritora carioca Luciana Hidalgo, que já vem colecionando Jabutis pela biografia Arthur Bispo do Rosário – O senhor do labirinto (Rocco, 1996/2011) e por Literatura da urgência – Lima Barreto no domínio da loucura (ed. Annablume, 2007), lançou recentemente seu novo romance intitulado Rio-Paris-Rio.
A obra, narrada em terceira pessoa, vai acompanhar a vida do casal Maria e Arthur, dois jovens que se conhecem e se apaixonam na Paris da década de 1968 com o fervor da ditadura militar no Brasil e o movimento de Maio de 68 na França, incendiado por protestos estudantis pedindo reforma no setor educacional. Logo os dois se apaixonam e compartilham tanto uma relação de experiencias intensas quanto a de se sentir estrangeiro fora de casa.

Maria é estudante de filosofia na Sorbonne, em Paris, uma das mais renomadas universidades do mundo e Arthur, artista de rua, escreve poemas. Diz ele ter um livro de poemas em construnção, mas ainda não está preparado para mostra ao mundo (ou a Maria, que desacredita na existência do livro). Juntos, eles vão participar dos conflitos e grandes debates com amigos de algumas partes do mundo, como o português José e a amiga francesa Martine, que estão engajados nos protestos

Maria e Arthur são exilados em um país que não lhe pertencem e se sentem estrangeiros não por estarem fora do Brasil, mas sim porque se sentem intrusos naquele local que retira a liberdade que há em ser livre no pais natal. Sem poder voltar ao Brasil por causa da intervenção e repreensão militar e ao mesmo tempo escondendo segredos sobre  o passado no  Brasil que poderão ser decisivos no futuro da relação do casal.
A primeiro coisa que devemos destacar nessa obra, é o estilo divino da autora em escrever um texto cuidado e bonito, sendo mais descritivo e com poucos diálogos, embora precisos e no momento adequado. É uma prosa extremamente poética. Essa construção pode tornar a leitura mais lenta, não por ser um livro chato e sim porque a tendência é degustar as palavras da autora e é como diz o narrador da obra nessa passagem do livro: "Talvez a boa literatura não preste a viagens rápidas" (p. 109).

Os personagens de Luciana Hidalgo são envolventes. Maria é construída de uma forma muito sensível. Ela consegue enxergar detalhes despercebidos à sua volta e é retratada como uma mulher de personalidade forte e inteligente, mas na mesma medida ela consegue ser uma mulher simples se contentando em estar no seu pequeno quarto, que para ela tem toda a simetria e perfeição que espera do mundo ao som de Alegria, Alegria de Caetano. Já Arthur é um homem poético com seu jeito original, pouco convencional, que acaba encantando Maria.
Um romance único e com um pano de fundo histórico necessário de ser lido, lembrado e que nos coloca tanto no lugar dos personagens no passado, naquele regime, quanto nos abre os olhos para os dias de hoje, onde ,cada vez mais, a história parece se repetir, de uma forma diferente, mas com os mesmo absurdos que assombram e insistem em voltar.

Até logo,
Pedro Silva.

Um comentário:

  1. Caro Pedro, obrigada por leitura tão minuciosa do meu "Rio-Paris-Rio". Gostei muito da sua resenha. É um prazer saber que há jovens como você lendo e escrevendo sobre livros. Grande abraço, Luciana Hidalgo.

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