Nos siga no Instagram! TOP 5: coisas para se fazer em um dia de tédio Desventuras em Série #1: Mau Começo - Lemony Snicket Resenha #229: Era dos Extremos - Eric J. Hobsbawm
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Resenha #230: A Garota do Calendário: Maio - Audrey Carlan

Título: A Garota do Calendário - Maio
Autor: Audrey Carlan
Tradução: Andréia Barboza
Editora: Verus Editora
Edição: 1°
ISBN: 9788576865261
Gênero: Romance estrangeiro / Romance Erótico
Ano: 2016
Páginas: 144

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Avaliação: 




RESENHA


No mês de Maio ao invés de ser uma acompanhante Mia é contratada para passar um mês no Havaí trabalhando como modelo de biquíni para uma coleção criada por um italiano para mulheres curvilíneas.
É claro que nesse novo trabalho ela encontra mais um pedaço de mau caminho, Tai Niko, um nativo que será seu colega de trabalho. Tai é moreno, alto, tatuado, e mais quente que o próprio inferno, ou seja, a distração perfeita que Mia está precisando.
"Abdome não, quadradinhos de luxúria. Cada gomo me fazia cobiçá-lo. Eu queria lamber e morder cada centímetro daquele tronco, com tatuagens e tudo... Especialmente por causa das tatuagens."
Entre sessões de fotos e sexo quente com Tai, Mia vai curtir alguns momentos com sua irmã Mads e sua amiga Gia no Havaí. Nesse mês Mia vai aprender a apreciar o verdadeiro valor da família e da amizade.
        
Maio é o mês de sexo selvagem e praias paradisíacas, além de claro, Mia ter a companhia de Mads e Gin. Assim como Abril, o quinto livro da série foi bem leve e divertido.

Mia continua mantendo contato com Wes *pausa para suspiro*, que por sinal, está aproveitando a vida tanto quanto Mia, mas não podemos culpa-lo, né? A Mia praticamente se assanha para qualquer homem bonito que esteja disposto, e é por isso que as vezes seus ciúmes e atitude em relação ao Wes me irrita um pouco, pois ela fica com ciúmes por ele estar com outra pessoa, praticamente quer que ele se guarde para ela enquanto que ela curte com quase todos os caras dispostos que encontra.
Estou chegando a metade da série, e até o momento a autora conseguiu manter as coisas interessantes, divertidas e quente, muito quente, só espero que ela consiga manter isso até o final da série. Por mais que eu quisesse falar mais, acontece que as obras são curtíssimas e não quero entregar mais do que devo.

Resenhado por,
Sharon Alves

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Resenha #229: Era dos Extremos - Eric Hobsbawm


Título: Era dos Extremos: O Breve Século XX 1914-1991
Autor: Eric J. Hobsbawm
Tradução: Marcos Santarrita
Editora: Companhia das Letras
Edição: 2° Edição
ISBN: 9788571644687
Gênero: Histórico / Não-ficção
Ano: 1995
Páginas: 598

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Avaliação:



Resenha:

"Era dos Extremos: O Breve Século XX 1914-1991" é uma das grandiosas obras do historiador marxista Eric Hobsbawm. Nascido no Egito, Hobsbawm mudou-se ainda criança para Viena e Berlim e, alguns anos mais tarde, para a Inglaterra, onde construiu sua vida acadêmica e ganhou o renome que hoje possui. Nesta obra, o autor busca explanar acerca de vários temas que intrinsecamente estão conectados ao século que se passou, tentando explicar alguns acontecimentos - como a Primeira e Segunda Guerra Mundial, seguido da Guerra Fria, o surgimento do Terceiro Mundo, etc -, nos mostrando como uma pequena mudança na balança de poder do sistema internacional pode gerar consequências inimagináveis e, muitas vezes, catastróficas.

O exemplar é dividido em três partes (A Era da Catástrofe, A Era de Ouro e O Desmoronamento), com dezenove capítulos ao todo, onde em cada um deles o autor buscará discutir um tema específico. Seguindo uma linha de pensamento cronológica, Hobsbawm começa sua obra fazendo uma breve explanação sobre o que denomina ser "A Era da Guerra Total": o período que compreende a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Nesta capítulo específico, Hobsbawm não tem como objetivo primário explicar a origem da Primeira Guerra (tendo em vista que o mesmo já fez isto em A era dos Impérios), mas sim defender a tese do início de uma nova era em que os principais recursos e atenções das potências estariam voltados em grande medida para os esforços de guerra.


Uma das frases que mais chamou minha atenção neste início de leitura foi a de que "Paz significava antes de 1914". Pode parecer pesado e, talvez, um pouco mórbido demais, mas de fato tal afirmação torna-se nitidamente verdadeira no decorrer da leitura. Embora guerras tenham sido travadas desde que a raça humana existe, o mundo ainda não havia experimentado uma guerra de proporção mundial até 1914. A mudança de panorama se deu por 1914 ser palco de guerras que envolveram todos os Estados europeus, inaugurando uma era de massacre como nunca antes na história. Eric Hobsbawm descreve então como o conflito se deu na prática, suas batalhas, as perdas humanas e materiais, os empates e ganhos nas ofensivas, a evolução tecnológica estimulada pela tentativa de superar o oponente no campo de batalha, as consequências sociais e políticas do fim da guerra e outras questões que moldaram o mundo em que vivemos hoje.

Não vou me alongar, pois cada capítulo desta obra daria, tranquilamente, uma resenha de mais de duas mil palavras e, claramente, um bom e amplo conteúdo para o desenvolvimento de um artigo acadêmico. Entretanto, outro capítulo que creio que valha à pena ser abordado nesta resenha é o de número nove, intitulado "Os anos dourados". Nele, o autor busca dissertar acerca do período em que o capitalismo chegou a níveis exorbitantes de produção, em especial no mundo desenvolvido, mas que acabou por respingar nas zonas periféricas como produtos tecnológicos e industrializados. Outro ponto interessante salientado é sobre como a descoberta da penicilina, fruto da expansão do investimento em novas tecnologias, acabou por trazer uma maior liberdade sexual na época, tendo em vista que doenças que outrora não possuíam cura (como a sífilis, por exemplo), agora poderiam ser tratadas de forma simples e efetiva. O medo, entretanto, voltaria alguns anos mais tarde com o surgimento da AIDS. O "boom" populacional nos países não desenvolvidos, bem como a degradação do meio ambiente por causa do aumento da fabricação de produtos industrializados também é tema recorrente nesta obra.


No mais, gostaria de deixar registrado que este foi, sem sombra de dúvidas, um dos melhores livros históricos que li em minha vida. De forma didática, multifacetada e altamente explicativa, Hobsbawm nos mostra sua interpretação dos fatos históricos utilizando-se do empirismo, através de dados econômicos - tais como taxas de importação e exportação, PIB - e marcos históricos para ilustrar seu argumento. Através de seu texto é possível traçar um panorama para que possamos entender o atual cenário político, social e econômico do mundo, em especial para compreender problemas endêmicos como a fome e a desigualdade social, bem como a formação do sistema capitalista atual e em constante mutação em que vivemos. Com este leque de concepções, a compreensão excepcional da transição de eras que nos é apresentada atenta para diversas transformações que serão responsáveis pela formação do pensamento contemporâneo, o que nos leva a questionar (e buscar entender) a nova ordem mundial de Estados. Atreva-se você também a pensar fora da caixa. Historize-se.

Até logo,
Sérgio H.

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Sábado com Desventuras em Série! Vamos ler juntos?

Olá, leitores!

O post de hoje é para realizar um convite super especial.

Se tem uma coisa que gostamos, além de livros, é que aquela adaptação literária que não recebeu sequência por motivos desconhecidos ganhe uma segunda oportunidade de conquistar mais leitores e uma devida adaptação que meraça grande destaque.

Foi isso o que aconteceu com Desventuras em Série, de Lemony Snicket, que teve os três primeiros livros da série (Mau Começo, A Sala dos Répteis e O Lago das Sanguessugas), transformados em longa-metragem em 14 de dezembro de 2004 e que certamente, assim como muitos, você também deve ter assistido algum dia — até foi transmitido em canal de tv aberto —. 
Cheguei a assisti-lo antes de realizar qualquer leitura das obras e, até então, não via problemas no filme que por sinal apresenta fotografia, clima, figurino e ambiente sombrios e com boas atuações, inclusive Jim Carrey e Meryl Streep roubando a cena, juntamente com a atuação da pequena Sunny. Mas, infelizmente, os produtores do filme não deram continuidade a trágica história dos pequenos Baudelaire e ficou na vontade o desejo de assistir o que não foi filmado.

Por outro lado, e para nossa alegria, dez anos depois a Netflix comprou os direitos autorais da série composta por treze livros e anunciou a produção, não de um filme, mas de um seriado com data de lançamento para o dia 13 de Janeiro de 2017 em sua plataforma de streaming.

Então, pensando nisso, a convite da Companhia das Letras, propusemos um projeto de leitura conjunta com nossos leitores. Portanto, estamos lhe convidando para embarcar na série escrita por Lemony Snicket em nossa companhia.

Como vai funcionar? Já te explico.


Vamos ler os treze livros. No entanto, como a primeira temporada do seriado terá oito episódios com base os quatro primeiros livros — Mau Começo, A Sala dos Répteis e O Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral —, pensamos em priorizá-los antes do seriado estrear. Calma, não se assuste! Os livros são pequenos e possuem um ritmo muito rápido de leitura (eu particularmente já li os seis primeiros, mas pretendo recomeçar). A cada sábado eu venho aqui no blog postar minhas impressões acerca do livro da semana e através dos comentários iremos debatendo acerca do que foi lido. A leitura começa dia 26 e no dia 3 de dezembro já começamos as discussões.

Confira a seguir o calendário de leituras:

Caso vá participar, pedimos que, se possível, preencha o formulário para termos uma base de quantas pessoas estarão participando conosco. O formulário também nos será útil na realização de algum sorteio posteriormente ao longo da leitura coletiva. Mas, não é obrigatório responder. Link do formulário AQUI!

A Caixa Desventuras em Série, de Lemony Snicket está à venda com exclusividade no site da loja virtual Submarino (LINK). São os treze livros em edições com orelhas, folhas amarelas e ilustrações que vale muito.


Outros criadores de conteúdo estarão participando dessa ação coletiva, e você pode conferir mais postagens diversas sobre Desventuras em Série nos blogs Além do Livro / Capa e Título / Leitura Virtual / Moonlight Books / No mundo dos livros e nos seguintes canais do youtube Canal No Mundo dos Livros / Então, Eu Li /  Lendo & Comentando / Não Apenas HistóriasResenhando sonhos.


Para o desastre ser completo, ratifico o convite: vamos ler juntos Desventuras em Série?


Até logo,
Pedro Silva

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Resenha #228: Nimona - Noelle Stevenson

Título: Nimona
Autora: Noelle Stevenson
Tradução: Flora Pinheiro
Editora: Intrínseca
Edição: 1
ISBN: 9788580579024
Gênero: Histórias em Quadrinhos
Ano: 2016
Páginas: 272
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Resenha


Publicado recentemente pela Editora Íntrinseca, Nimona é uma Grafic Novel criada por Noelle Stevenson, responsável por algumas colaborações na Marvel, DC e Disney. A obra que fez um grande alarde quando lançado tem seus motivos para ganhar avaliações positivas, a começar por se tratar de uma HQ que quebra padrões e muda a forma de pensar do leitor.
Nimona é o nome da personagem central da obra. Ela, aos olhos do vilão Lorde Ballister Coração Negro, ainda é uma criança, mas quer fazer parte do time desse vilão com sede de vingança. Mas Coração Negro não quer uma criança em seu time e também porque ele trabalha sozinho. No entanto, a pequena Nimona tem um poder especial, ela é uma metamorfa, ou seja, pode se transformar em qualquer coisa quando bem entender e ao saber disso, Ballister enxergar nela a oportunidade de se vingar do seu arqui-inimigo Sir Ouropelvis. 

A partir de então, ambos começam uma batalha contra a Instituição de Heroísmo & Manutenção da Ordem e passam a descobrir que nem sempre o lado bom é o lado dos mocinhos. 

"Nimona" veio para quebrar padrões. Nimona é uma personagem sedenta e determinada em sua busca pela maldade, assim como Ballister, porém, ambos carregam em si a doçura do mundo e apesar dos corações amargos por desavenças do passado, eles ainda assim conseguem ter bondade no coração. Ela é uma jovem que representa a classe de mulheres que lutam por destaque e que realmente são capazes de mostrar força e agilidade nas atividades que se propõem a fazer sem se deixar menosprezar por opiniões de outros.
A obra é quase um conto de fadas modernos, sem contar com as partes das princesas indefesas e amores para além do infinito. Apesar de toda a sua carga fantástica, é possível trazermos as mensagens por trás do livro para nossa realidade, como a forma que somos controlados pelo sistema que cada vez mais nos introduzem uma mensagem da qual não se conduz com a verdadeira, e claro, aquele velho ditado de que nem sempre o que aparenta beleza está puro por dentro e nem sempre o inimigo é aquele que julgamos ser.

"Nimona" veio para ser uma diversão com consciência e tem tudo para agradar o publico em geral, e principalmente as meninas (as quais a autora dedicou a obra). Se você gosta de uma HQ leve, cheia de tiradas sarcásticas, com deboche e ironia, essa está mais do que recomendada. Mas se você gosta de histórias de perdão, de mudança e aceitação, "Nimona" também irá lhe agradar, afinal, ela foi feita para agradar a todos, sem distinções.
Sobre a edição brasileira, a Intrínseca caprichou. As folhas são em papel couche fosco 115g, que é ótimo para impressão das ilustrações dos quadrinhos, com cores mais fortes e vivas em brochura com detalhes em verniz na capa. Já traço da Noelle é simples, porém, cheio de cores.

Até logo,
Pedro Silva

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Resenha #227: O Sucesso - Adriana Lisboa

Título: O Sucesso
Autora: Adriana Lisboa
Editora: Alfaguara
Edição: 1
ISBN: 8556520189
Gênero: Contos
Ano: 2016
Páginas: 172
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RESENHA


Adriana Lisboa é uma das vozes da literatura brasileira mais promissoras dos últimos tempos. Navegando em romance, conto e poesia, a autora já foi consagrada com o prêmio José Saramago por Sinfonia em Branco, entre outros. Também já teve livros destacados em listas de grandes jornais nacionais e internacionais. Em 2016, a autora lança a coletânea de contos O Sucesso para enriquecer ainda mais o conjunto da obra.
São 9 contos que compõe O Sucesso, sendo três deles inéditos e os demais publicados anteriormente em jornais e outras coletâneas. As temáticas são diversas: suicídio, memorias, aceitação, amadurecimento e pequenos recortes da realidade de uma maneira sutil.

A obra é iniciada com "O Enforcado", um conto com características policiais que acompanha a narrativa de um homem desenganado da vida que busca em uma cartomante novas possibilidades de reaver o passado e futuro no Rio de Janeiro. É uma história ágil e com reviravolta surpreendente.

"Aquele ano em Rishkesh" é o conto que nos mostrar um rapaz fã de Beatles, principalmente George Harrison. Mas, ele descobrirá que certamente não é o único em sua casa e que sua avó tem mais histórias a contar do que ele imagina. É um conto muito bonito e dá uma ideia do que a coletânea vai tratar: os pequenos detalhes da vida humana.

"O Sucesso", conto que dá título a obra, é um dos mais sutis. Duas jovens e dois garotos. Mostra muito do que é ser adolescente e do quão bobos essa época nos deixa e o tanto de amadurecimento que ainda temos pela frente.

"A mocinha da foto" é o conto que, em poucas páginas,  traduz ciúmes e desconfiança de uma mulher por seu esposo ao notar uma fotografia de uma desconhecida nas coisas do marido.
Temos em "Oval com pontas" uma história de mãe e filho; um recorte de um passeio. A mãe toda apressada na correria da vida e o filho que calça 32 tendo que acompanhar o compasso rápido da mãe. O genial desse conto é as forma que Adriana Lisboa o conduz, a cada obra artística narrada o menino vai tendo insights, navegando em suas introspecções e sendo afetado por isso.

Não vou comentar o quão genial é "Feelings", só irei deixar esse vídeo para vocês assistirem da Nina Simone. Porque o conto é, sobretudo, acerca do encantamento que a Nina nos causa.

Em um cenário circense, "Circo Rubião" acompanha as transformações de pessoas pelo circo. 

A partir do conto "O escritor, sua mulher e o gato", os contos vão se tornando tristes. Nesse, um fotografo é convidado a fazer fotos do escritor francês Gérard Baer. É de certa forma uma crítica aos prêmios literários, pois esse autor estava esquecido e ao ganhar um prêmio tem sua obra redescoberta por uma editora brasileira É um conto triste sobre amor e amizade.
Trecho do conto "Glória".
Adriana Lisboa brinca com nossos sentimentos fortemente no conto mais longo da coletânea: "Glória", é sobre uma empregada domestica que começou a trabalhar muito cedo. Aos 12 anos os membros de sua família já começavam a trabalhar isso porque tinham a oportunidade de morar na cidade e obter dinheiro. Glória foi a que mais alcançou estudo, embora o básico. O foco principal desse enredo são as coisas simples que os outros fazem por nós e que de certa forma, não damos tanta atenção. É uma história sobre mágoa, abuso e perdão.

Ao final de O Sucesso, o que fica é a certeza de que Adriana Lisboa (que já havia se mostrado uma ótima romancista com O Beijo de Colombina, 2015) é um autora de mãos cheias e estilo e voz próprias que só reforça seu destaque na literatura nacional contemporânea. 

Até logo,
Pedro Siva


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Resenha #226: Sopa de Salsicha - Eduardo Medeiros


Título: Sopa de Salsicha
Autor: Eduardo Medeiros
Editora: Quadrinhos Na Cia. (Cia. das Letras)
Edição: 1
ISBN: 9788535927030
Gênero: História em quadrinhos
Ano: 2016
Páginas: 172
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RESENHA


Sopa de Salsicha é a mais recente grafic novel do quadrinista Eduardo Medeiros publicada pela Quadrinhos Na Cia., selo da editora Companhia das Letras, em uma bela edição composta por 172 páginas.
Na trama, autobiográfica, Eduardo começa nos narrando sua mudança da cidade de Porto Alegre para Florianópolis na companhia de sua esposa apelidada carinhosamente por ele de Baixinha (Aline). A partir de então, o que vemos é o amadurecimento do casal e suas formas de lidar com situações cotidianas como a depressão, levar o Amarelo (cachorrinho deles) para passear na praia, buscar trabalho e formas de manter a casa e claro, cuidar um do outro.

O autor brinca muito com o texto e dialoga muito com o leitor durante a narrativa. Ele trata de forma cômica as questões envolvendo bloqueio criativo, motivos para escrever esse quadrinho e o motivo de tomar algumas decisões.
Eduardo Medeiros nos narra o inicio de sua carreira e ainda mais, insere outros quadrinistas de renome na HQ que são seus amigos, como os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, abrindo um espaço para introduzir um desenho deles já que faltava inspiração. Assim como a Baixinha se intromete a relatar um momento marcante em sua vida (o que é um dos momentos mais amorosos do livro).

Sopa de Salsicha é uma história de amadurecimento e busca sempre pela melhoria, embora os personagens saibam e informam que isso determina tempo. Mas que, no fim, as mudanças vindouras são importantes para a renovação da vida, e claro, das ideias. De certa forma, Sopa de Salcicha é uma declaração de amor a Aline (Baixinha) esposa do Gabriel Salsicha e uma maneira de mostar o quão ama a vida ao seu lado.
O desenho segue um estilo próprio, que diria ser até fofo. Não é um traço exagerado. A palheta de cores é diversa, mas segue em muitos tons de marrom, verde e alaranjado.

Até logo,
Pedro Silva

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Resenha #225: Liturgia do Fim - Marilia Arnaud

Título: Liturgia do Fim
Autor: Marilia Arnaud
Editora: Tordesilhas
Edição: 1
ISBN: 9788584190430
Gênero: Romance brasileiro
Ano: 2016
Páginas: 150
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RESENHA

A história gira em torno de Inácio, um escritor e professor que larga tudo para acertar uma pendência de seu passado com a família e principalmente com o seu pai que já está em uma idade avançada. Livros, esposa, filha e tudo o que tem é deixado de lado, quando já não faz mais sentido continuar vivendo com algo interno a corroer a alma.

A família sempre viveu arraigada em um modelo familiar regido pela figura forte e patriarcal em uma região chamada Perdição. O ponto que queremos descobrir só vai sendo desvendados ao longo do romance, com pequenos detalhes compondo os martírios que acompanhou a vida de Inácio quando ele teve que deixar a família e construir um novo futuro na cidade.

Inácio, o narrador-personagem, ao voltar para Perdição, sente as feridas do passado que vão ter os cascões revirados. Haverá perdão que trará de volta algo que nunca existiu dentro de uma família?

Ele é um personagem que apesar de ter se dado bem na vida, alcançado uma formação e profissão, além de ter constituído família, nunca conseguiu esquecer o que aconteceu em seu passado. De certa forma ele é vítima e ao mesmo tempo carrasco de si próprio, martelando na mesma tecla e se ardendo por não ter feito mais do que podia.

De um lado temos a mãe de Inácio, figura submissa ao marido e em contra partida com posição oposta temos Ifigênia, a filha que não se deixa colocar cabresto pelo pai.
Marília Arnaud com Liturgia do Fim eleva a literatura paraibana a outro patamar. A escrita é bem poética e os diálogos são internos ao texto de forma a se tornar, apesar da divisão em dez capítulos, um texto mais corrido, não tão simples, mas compreensível e belo sem ser forçado. 

Me surpreendi mesmo com a capacidade descritiva da autora em transportar seu leitor a um universo rico de uma fauna e flora cheia de vida e que enche os pulmões dos personagens de lembranças e momentos vividos sejam à sombra de uma árvore  ou com o sinos de uma cascavel. Remete muito ao cenário paraibano e consequentemente nordestino.
Foram dois anos até o romance ficar pronto, um trabalho cuidadoso da autora com o texto que resultou em sua qualidade ímpar. Para quem procura um leitura profunda e de escrita sublime, "Liturgia do Fim" é uma excelente recomendação.

Até logo,
Pedro Silva

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Resenha #224: Fellside - M. R. Carey

Título: Fellside
Autor: M. R. Carey
Tradução: Caco Ishak
Editora: Fabrica 231 - Rocco
Edição: 1
ISBN: 9788568432884
Gênero: Ficção / Suspense
Ano: 2016
Páginas: 464
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RESENHA


Hoje trago um super lançamento da Editora Fábrica 231 que vai ser lançado agora em novembro, mas que já tivemos a oportunidade de ler para apresentar essa novidade pra vocês.  Nesse segundo romance do roteirista de X-men, conhecemos Jess, uma garota com uma vida que está desmoronando, viciada em heroína, depois de uma briga com seu namorado, ela acaba tocando fogo no seu apartamento e matando uma criança, seu vizinho de cima Alex. 
Atormentada pela dor e pela consciência pesada após o que fez,  Jess é condenada à prisão na Fellside, uma cadeia de segurança máxima. Se sentindo a pessoa mais culpada do mundo, Jess desiste de se defender e aceita sua condenação, mas,  sem forças para continuar vivendo, ela decide entrar em greve de fome para se suicidar e, é quase no fim de sua vida, durante um coma, que ela encontra uma criança que lhe dá motivos para voltar à vida e desvendar um mistério.

Apesar da premissa de que o livro é de terror, é melhor nem ler esperando coisas aterrorizantes porque não encontrará isso aqui. O livro faz mais um estilo de suspense e é muito bem narrado. O autor por muitas vezes entra em alguns detalhes que parecem ser apenas enrolação, mas tudo acaba se justificando e tomando corpo. 

Outra coisa que me chamou bastante atenção é a habilidade descritiva do autor, apesar de às vezes ele exagerar um pouco nisso, ainda assim, é possível construir na nossa cabeça um cenário completo, não só de Fellside, como também dos espaços no “além” - creio eu que seja no além -  onde Jess se encontra com o garoto. 

Muito realista e, talvez por ser tão realista, um tanto quanto perturbador, Fellside é um livro que também vem para mostrar vários lados da natureza humana. Com personagens muito bem construídos, cheios de mistério e vidas muito complicadas, o livro é bem denso e muito interessante. 

Resenhado por:
Maria Clara D.

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Resenha #223: Não Tive nenhum prazer em conhecê-los - Evandro Affonso Ferreira

Título: Não Tive nenhum prazer em conhecê-los
Autor: Evandro Affonso Ferreira
Editora: Record
Edição: 1
ISBN: 9788501084170
Gênero: Romance brasileiro
Ano: 2016
Páginas: 368
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RESENHA

Em seu novo romance Evandro Affonso Ferreira, constrói uma narrativa em mosaico, com pequenos fragmentos poéticos, onde o personagem/narrador é um homem de 90 anos, que vive em São Paulo, e usa a escrita para lidar com a velhice e desesperança. 
Entre passeios pela “metrópole apressurada”, reflexões, e lembranças da infância e juventude, o personagem escreve, numa tentativa de publicar seu primeiro livro. Ele fala sobre a decrepitude, solidão, melancolia, e a saudade da amada “aquela que não voltará jamais”, como ele a chama. 
“Não sei duração do instante — segundos, minutos? Sei que gostaria de olhar nos olhos azul-turquesa dela (aquela que voltará jamais) só mais um instante.” Pág: 21
O livro tem uma linguagem poética, e um texto bem elaborado, característica marcante do autor. Traz citações de diversos autores, desde os gregos antigos a Schopenhauer. O texto é repleto de palavras que não são usuais no vocabulário informal, mas que dão o tom da narrativa. Outro recurso utilizado pelo autor é a eliminação dos artigos definidos, dando ritmo à leitura.
 “Sei também que escrevo para me livrar dos meus demônios, que se apresentam em forma de vogais e consoantes — escrever é desanuviar dos próprios assombros; jeito poético talvez de cortejar próprios destrambelhos; de zombar de si mesmo — sem abrir mão dos rompantes lúdicos; escrever para tornar águas do meu rio menos turvas” Pag: 167
Por se tratar de uma narrativa feita por fragmentos, o livro não possui um “ponto alto” da história, nem possui uma ordem cronológica dos fatos narrados. Seguimos o tempo inteiro na cabeça do narrador, somos levados pelas suas memórias, idéias, divagações e sentimentos. Adorei a leitura, e as reflexões causadas pelo livro, talvez o leitor acostumado com uma romance com grandes acontecimentos, e reviravoltas não se atraia, mas ainda sim, vale uma chance. 
“Posso dizer que fui apenas alguns parênteses neste longo texto cujo nome é vida”
Evandro Affonso Ferreira, nasceu Minas Gerais, em 1945, mora em São Paulo há 40 anos. Surgiu na literatura em 2000, vencedor do prêmio Jabuti 2013 na categoria romance com O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam, do Prêmio APCA 2012 com Minha mãe se matou sem dizer adeus, e terceiro lugar no Jabuti de 2015 com Os piores dias de minha vida foram todos.


Até mais,
Elidiane Galdino