Nos siga no Instagram! TOP 5: coisas para se fazer em um dia de tédio Desventuras em Série #1: Mau Começo - Lemony Snicket Resenha #229: Era dos Extremos - Eric J. Hobsbawm
7

Resenha #159: Vamos Juntas? - Babi Souza


Lido em: Abril de 2016
Título: Vamos juntas?
Subtitulo: O guia da sororidade para todas
Autor: Babi Souza
Editora: Galera Record
Edição: 1
ISBN9788501107510
Gênero: Não ficção/Nacional
Ano: 2016
Páginas: 144

Adicione esse livro ao Skoob


Avaliação: 



RESENHA




Vamos Juntas? - O Guia da Sororidade Para Todas é um desdobramento da página do Facebook que leva o mesmo título. "Vamos Juntas?", antes de ser uma página é um movimento feminista criado pela jornalista Babi Souza, com o intuito de unir as mulheres e disseminar a sororidade entre elas. O termo, ainda é desconhecido no dicionário Aurélio, mas diz:


SO. RO. RI. DA. DE. Substantivo feminino
1. Grupo de irmãs.
2. Reunião entre mulheres que se reconhecem irmãs formando um grupo político e ético na luta pelo feminismo contemporâneo.
3. Essa coisa linda que tem acontecido aqui.

Muitas mulheres desconhecem o termo, principalmente porque não é muito usual e pouco difundido. A ideia central do movimento é que as mulheres não se vejam como rivais e que em uma situação de risco tentem se apegar uma à outra como forma de ajuda, afinal unidas conseguem ter mais poder. Se você está indo para algum lugar e outra mulher seguirá o mesmo caminho, porque não fortalecer indo juntas? Isso não é lindo?


O movimento em pouco tempo alcançou, em pouco tempo, milhares de pessoas e seguidores nas redes sociais, a partir de então, mulheres de idades distintas passaram a relatar seus casos e relações com o movimento: livramentos, ajuda oferecia, fuga de ciladas e mulheres atentas a sua volta. Relatos emocionantes que passaram a ser postados na página e que mostram a grandeza e força dessas mulheres.

O livro é formado pela visão da autora na construção do movimento e como ele surgiu. Em uma linguagem simples, ela não só se prontifica em mostrar o "Vamos Juntas?", o que é e para o que veio, mas tudo o que há por trás dele e que fizeram ser o que ele é hoje. 


O feminismo é explicado de uma forma bem didática e dinâmica, contribuindo para a formação e quebra de preconceitos daqueles que o enxerga com outros olhos ou de forma errada. A autora foca muito na questão de que elas querem a igualdade dos sexos, e não a sobreposição de um.

Não se trata de mais um livro sobre uma página de sucesso, e sim de um guia necessário em nossa sociedade em que os casos de violência à mulher são tão extremos. A sororidade pode ser para todas, mas este livrinho deve ser lido por todos para que haja uma maior conscientização e empoderamento.

Até logo,
Pedro Silva
7

Resenha #158: O Céu Noturno em Minha Mente - Sarah Hammond

Lido em: Abril de 2016
Título: O Céu Noturno em Minha Mente
Autor: Sarah Hammond
Editora: Galera Júnior
Edição: 1
ISBN: 9788501104496
Gênero: Infanto Juvenil
Ano: 2016
Páginas: 288

Adicione esse livro ao Skoob


Avaliação:




RESENHA


Mikey é um jovem de 14 anos de idade, filho único e dono de um cachorrinho chamado Timmer. Ele sofreu um trauma quando era menor, porém, a única coisa que ele sabe sobre esse incidente é que deixou em sua nunca uma cicatriz que às vezes dói. Além da cicatriz, o Mikey passou a ter dificuldades em se relacionar com outras pessoa. A insegurança tomou conta dele, o que o tornou um garoto solitário e fechado em si mesmo.


No entanto, Mikey busca tentar mudar esse quadro solitário e nisso ele acaba confiando demais nas pessoas que se mostram ser "parceiras", a partir de um momento forte, de encontro com a morte, ele vai conhecer Ralph, um homem que mostra ser bem amigo do garoto. Fora esse homem, Mikey conhece a jovem Meg e o seu avô fazendeiro.

Um detalhe permeia a vida do garoto e que a mãe sempre evita falar: o sumiço do seu pai. Mikey sabe que ele está na cadeia, mas não entende quais motivos o levaram até lá. Sombras do passado assombram o jovem e serão elas que retornaram a atormentá-lo em sua busca por respostas. Será mesmo que Mikey deve confiar em todo mundo? Essas sombras e lapsos de memória são reais?

Em uma narrativa ágil e de fácil compreensão, Sarah Hammond traz uma história simples com um toque especial de sobrenatural. Ela constrói seu livro de uma forma linear, porém, esses lapsos de memória se interligam com a narrativa que se segue. O que pode desagradar um pouco são as frases muito curtas e que truncam um pouco a narrativa pela quantidade em demasia de pontos em um único parágrafo.



Um livro juvenil, mas que engana um pouco pela idade do personagem, de 14 anos que aparenta ter 10. Ela, a autora, poderia muito bem ter posto uma idade menor. Mas ao analisar bem o enredo, entendemos os traumas do Mikey e o que fica é um garoto com dificuldades em ser aceito, com medo de não ter amigos, que se deixa influência por qualquer resquício de amizade que possa surgir (se submetendo até a situações constrangedoras) e principalmente com sede de companhia. Ele é muito minucioso na hora de falar sobre seu interior e sabe ser impulsivo quando é desnecessário.

Outro ponto é que a mãe do garoto em grande parte do livro é bem ausente, ela pouco aparece e sempre se mostrar mais como uma amiga do que propriamente mãe. Ela trata ele como uma criança, e em outro momento fica de boa quando ele fala ter ingerido bebida alcoólica.

O Céu Noturno em Minha Mente é um bom juvenil e recomendo a leitura para leitores de todas as idades que estejam abertos a uma história de entretenimento com um pouco suspense no ar e um leve toque de sobrenatural.
12

Resenha #157: Outro Dia - David Levithan

Lido em: Abril de 2016
Título: Outro Dia
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Edição: 1
ISBN: 9788501106834
Gênero: Romance 
Ano: 2016
Páginas: 322


Avaliação:   





Resenha:

Bons sinais. Estou sempre procurando bons sinais.

Rhiannon nunca imaginou que estaria em uma situação tão complicada. Em um dia comum de sua vida, ela só gostaria que Justin fosse à pessoa a lhe fazer feliz, mas agradá-lo não era tarefa fácil. Estava sempre mal humorado, cheio de ódio e antipatia; sempre sentindo-se um fardo para ele. Não naquele dia. Naquele dia ele tinha um brilho diferente no olhar, nas palavras, no jeito de se mexer. Naquele dia, o Justin não parecia o seu Justin. E ele não era...
Quando Rhiannon depara-se com a história impossível e assustadora de A, seu mais novo pretendente, que troca de corpo todo dia, ela fica perdida, perturbada, sem saber quais atitudes tomar. Seria capaz de amar o mesmo espírito em corpos diferentes? Que ideais ou obstáculos teria que superar e se adequar para viver este amor? Isto é realmente verdade? Como escolher entre o amor fixo e normal por Justin ou a grandiosidade sentimental e reviravolta que A causa em sua vida?

“O amor tem que ser isso: Ver o tamanho do problema que o cara é e amá-lo assim mesmo, porque você sabe que também é um problema, talvez até pior."


Outro Dia não é a continuação que esperava para um livro tão incrível quanto Todo Dia, mas abre muitas novas possibilidades para o leitor que já conhece a trama no seu geral. Narrado em primeira pessoa, o enredo é a mesma coisa de Todo Dia, sendo visto desta vez sob a ocular da personagem Rhiannon, e isso pode ser tomado como um aspecto importante na trama, já que as transformações em sua vida e em sua forma de pensar são muito profundas, principalmente quando seu relacionamento com A começa. Levithan deu um rosto à personagem, vivacidade a figura antes era apenas idealizada. Infelizmente o romance não ganha tanta grandeza quanto seu anterior devido a não possuir a particularidade de ter um narrador que não tem uma sexo estabelecido, e que está constantemente em transformação, como também pelos muitos acontecimentos, já experienciados pelo leitor, tornando-os banais devido a repetição.

David Levithan convida seus leitores a conhecerem um pouco mais da construção destes personagens. A complexidade dele é indiscutível, fato que transforma Outro Dia em uma boa leitura para passar o tempo, possuindo citações bonitas e memoráveis, mas não tendo a carga sentimental que tínhamos em Todo Dia. Como mencionei acima, devido à trama já ser conhecida, o livro acaba não sendo surpreendente, e fica mais como uma releitura do que já havia sido mostrado, mudando apenas alguns aspectos. O final, porém, desta vez, não exige uma continuação. Sob a perspectiva de Rhiannon, a obra estaria completa e perfeita. Para o leitor que não leu Todo Dia, essa pode ser uma experiência melhor. Eu pessoalmente, me decepcionei um pouco, razão de Todo Dia ainda ser meu xodó particular. 


Mas o livro não é de todo ruim. É interessante o autor ter destacado a posição da personagem frente a tudo que acontece em sua vida, não só nas alterações de humor, como também na forma de lidar com as trocas de corpo de seu amado. A visão que Rhiannon tem de A, a forma como leitor passa a enxergá-lo, tudo é muito bem explorado. Uma coisa evidente é que Rhiannon a certo momento da história, parece não se importar mais com nenhum sentindo que não seja seu desejo por A. Além disso, mais interessante ainda é quando a protagonista é submetida ao dia em que A aparece no corpo de uma garota; seus pensamentos mais secretos, seus medos, tudo exposto ao leitor, evidenciando a complexidade do sentimento que rege todo o enlaçar de eventos em Outro Dia. Se existe algo a se dizer sobre a obra e sobre o autor é que Levithan não brinca quando o quesito é construção da narrativa. Sua obra tem um toque sutil de sobrenatural que ao mesmo tempo fundi-se com a realidade em uma naturalidade emocionante, chocante.

Outro aspecto interessante foi vê como Rhiannon realmente enxerga Justin, que desta vez, tem um maior destaque, não só para que o leitor o conheça em sua intimidade, como também para decidir em qual time colocá-lo: odiados ou amados.

“É aqui que acaba. É aqui que começa.
Cada momento. Todo dia.
É aqui que acaba. É aqui que começa.”


A edição da Galera Record é simples, mas capa combinou bem com a visão que a série quer transmitir. Outro Dia é mais um apurado de quotes inesquecíveis, recheado de romance e drama do começo ao fim. Não tão surpreendente quanto Todo Dia, ainda é capaz de emocionar o leitor que pode ser pego identificando-se com os dilemas da personagem. Ainda espero uma continuação (e digo realmente uma continuação para Todo Dia, e não ele narrado por outro protagonista), que fale mais sobre o que A realmente é, e solucione os mistérios que ficaram em aberto. Se não ler Outro Dia pelo simples prazer de conhecer uma história diferente, então pelas frases marcantes que provavelmente irão te tocar.

Até logo,
David Andrade


7

{Especial - Simon Vs A Agenda Homo Sapiens - Quebra de Padrões}


Há alguns dias estava eu, a vasculhar meu e-mail, quando encontro por lá uma mensagem interessante: uma proposta para participar da semana especial do livro Simon Vs A Agenda Homo Sapiens, resenhado há pouco aqui em nosso blog. De pronto, me dispus a participar e cá estou para ter uma breve "conversa" com vocês.

É mesmo muito irritante que hétero (e branco, diga-se de passagem) seja o normal e que as pessoas que precisam pensar sobre sua identidade sejam só aquelas que não sei encaixam nesse molde. (Pág. 131)

Publicado no Brasil pela Editora Intrínseca, o livro em questão traz uma sinopse que, de cara, torna-se atrativa. Somos informados que acompanharemos um drama adolescente, onde nosso protagonista (o Simon!) está naquela terrível fase de estar dentro do armário, desconfortável com o fato de possivelmente acabar tendo que sair dele. A obra foi escrita por Becky Albertalli, psicóloga que trabalha, em especial, com crianças e adolescentes, buscando entender um pouco mais acerca desse mundo de descobertas. O livro é simplesmente carregado de quebra de padrões sociais, principalmente os que estão sendo abordados pela nova geração.


Podemos ser induzidos a pensar que a narrativa será focada apenas na sexualidade do Simon, mas engana-se quem pensa assim. Além de abordar este tema, a autora consegue também nos dar um tapa na cara sobre preconceito racial. Vários outros temas (tapas na cara) são debatidos (nos são dados), de forma camuflada, no enredo. Amizade, lealdade, chantagem e diversos outros temas que permeiam a vida adolescente estão presentes. 

Dizer que sou uma pessoa "sem preconceitos" seria uma hipocrisia, pois sempre há em nós algum defeito, uma desinformação ou uma indução a pré-julgar algo. Entretanto, admito que sou uma pessoa que possui poucos conceitos previamente formados (preconceitos), uma pessoa que trata a todos de maneira igual, independente de cor, credo, orientação sexual, gênero, condição social ou o que quer que seja. Este livro serviu-me apenas para reafirmar aquilo que acredito. Entretanto, creio que tal obra seria de suma importância para aqueles que ainda não conseguiram abrir os olhos para o novo caminho que o mundo está tomando: o mundo da igualdade de direitos e aceitação das diferenças. Desta forma, indico Simon Vs A Agenda Homo Sapiens à todos: aos gays, aos héteros, aos de esquerda e aos de direita, aos religiosos, aos ateus, aos #teamcap e aos #teamiron. Indico àqueles que ainda possuem dentro de si a vontade de mudar o mundo.

Até logo,
Sérgio H.


7

Resenha #156: Como Ser Solteira - Liz Tuccillo

Lido em: Abril de 2016
Título: Como Ser Solteira
Autor: Liz Tuccillo
Editora: Record
Edição: 2
ISBN9788501087935
Gênero: Chick Lit
Ano: 2016
Páginas: 434

Adicione esse livro ao Skoob


Avaliação:





RESENHA


O nome do livro já é bem sugestivo, Como Ser Solteira. À primeira vista achei que seria mais um manual de autoajuda chato, mas enquanto lia percebia que a autora tentava ajudar de uma maneira mais solta, informal. Os capítulos vão se desenvolvendo por etapas de “solteirice”, isto é, cada etapa que uma mulher, ou até homem, passa para achar uma pessoa que seja compatível ou que sinta uma paixão intensa e até lá vão conhecendo diversas pessoas, lugares, culturas mesmo que seja indiretamente, até achar a pessoa que procura, contudo quanto mais as protagonistas procuram mais decepções elas sofrem e consequentemente se transformam diante das situações da vida.


A história começa quando Georgia se separa do marido e procura por ajuda de como ser solteira, então ela vai atrás de Julie (uma solteira de 38 anos que mora em Nova York) esta nunca tinha pensado sobre tal assunto, pois como toda pessoa que mora em cidade metropolitana, vive ocupada. Ajudando as amigas e divulgando livros de autoajuda - convenhamos que ajudam quase nada - Julie mal sabe que sua vida está prestes a tomar um rumo diferente do que ela estava preparada.

Para ajudar Georgia, Julie reúne mais três amigas solteiras: Ruby, Serena e Alicia. As quatro solteiras para ajudar a divorciada vão para um bar para esquecer os problemas e observando o comportamento de cada uma, Julie começa a observar como cada uma vive de sua maneira o jeito de ser solteira. Ruby é a deprimida, pois todo namorado que tem acha que vai ser O único, mas a cada termino ela entra em uma tristeza profunda, a última pessoa que ela amou foi seu gato, que acabou morrendo. Serena é a hippie do grupo, era cozinheira, mas ao achar uma religião que só medita, larga tudo e aceita o celibato. Alicia é a sensata, advogada, que tenta achar o amor da sua vida em todos os lugares.



Elas percebem que foram longe demais quando Georgia entra em uma briga e Serena sofre um coma alcoólico e lá Julie encontra com umas francesas que ficam indignadas com o comportamento das amigas e em uma breve conversa Julie descobre que as francesas lidam com o solteirismo de maneira diferente e isso a faz questionar como as mulheres de outros países se comportam a isso. Pegando suas economias e avisando sua chefe, Julie parte para vários países para descobrir e escrever como cada cultura reage a ser solteira.
“Temos trabalhos e amigos, paixões e igrejas e academias e ainda não conseguimos evitar nossa natureza essencial de precisar ser amada e se sentir próxima de outro ser humano. ” (Pag. 47)
Julie na França descobre que as francesas são criadas para ter orgulho próprio sem se rebaixar por um cara. Na Itália, as mulheres lidam de uma maneira diferente, elas batem nos homens com uma frequência inacreditável. No Brasil, como sempre, há o estereótipo que as brasileiras só ligam para a aparência, no corpo ideal, só porque mostramos demais, no Rio de Janeiro descobre a “ficada” que é um “namoro de uma só noite”, sem precisar de encontros. A parte do Brasil foi a que me indignou mais pois a autora mostrou que somos superficiais e que gostamos da traição. Já na Austrália, os homens geralmente procuram mulheres abaixo dos 30, mas isso acontece porque as ditaduras da beleza impedem que mulheres acima dos 35 possam ir a baladas por estarem velhas demais, ou cansadas demais. Na China, Julie descobre que as chinesas só querem caras ocidentais. E na Índia, vemos que as mulheres não casam por amarem uma pessoa e sim pelo sistema de castas entre as famílias e horoscopo, lá acreditam que o horoscopo mostra se as pessoas são compatíveis emocionalmente, fisicamente e intelectualmente.
“ O ser humano foi feito para muitas coisas. Solidão não é uma delas”. (Pag. 375)
A história vai se desenvolvendo e com ela vemos as transformações, o redescobrimento de cada uma das protagonistas, como paixões se vão quando menos se espera, a desilusão sofrida, a busca pelo verdadeiro amor e como a vida é cheio de encontros e desencontros.

A princípio Como Ser Solteira me desanimou um pouco, pois a narrativa da Julie é muito chata, ela só pensa, em muitas vezes, nela mesma, se vitimando. Eu, particularmente, não tenho paciência para dramas do tipo “nunca vou achar ninguém”, claro, eu quero um amor, como todo mundo, mas aprendi com os amigos, com as histórias, com a vida, quanto menos se procura a pessoa acha. As protagonistas do livro me pareceram que iriam morrer se não achassem um homem, negligenciando filhos, quase casando sem amor, muitas vezes o machismo foi mostrado, porém é como a sociedade é hoje em dia. Contundo ao desenvolver as personagens foram melhorando, vendo que homem não é tudo na vida, até porque amor de amigos, família é algo lindo também.



Liza Tuccillo tem uma narrativa leve, fazendo com que a pessoa termine o livro rapidinho, como disse ao longo da resenha, não gostei do machismo mostrado e nem do estereótipo brasileiro. Mas uma das coisas que mais gostei foi da lealdade de cada uma, se ajudando sempre que podiam. O livro é meio bobo e as vezes da raiva, mas é divertido de ler, dá até vontade de largar tudo e conhecer outros países, pessoas e culturas.



8

Resenha #155: O Fim de Tudo - Luiz Vilela

Lido em: Abril de 2016
Título: O Fim de Tudo
Autor: Luiz Vilela
Editora: Record
Edição: 2
ISBN9788501104823
Gênero: Contos brasileiros
Ano: 2016
Páginas: 240

Adicione esse livro ao Skoob


Avaliação:



RESENHA


Luiz Vilela, autor mineiro, é considerado um dos melhores contistas brasileiros. Ele nasceu em 1942, e em sua adolescência, aos treze anos, já começou a escrever e ter contos publicados. Não demorou muito para ter seu trabalho reconhecido em concursos que desbancava autores já consagrados da época. 


"O Fim de Tudo" foi originalmente publicado em 1973, por a editora Liberdade que o próprio Luiz Vilela fundou em parceria com um amigo em Belo Horizonte, ganhando destaque e o prêmio Jabuti na categoria melhor livro de contos. 

Em 2016, pelo Grupo Editorial Record, "O Fim de Tudo" ganha sua segunda edição com direito a revisão. A segunda coletânea de contos do autor é composta por 24 contos que de alguma forma retratam o fim em contextos diferentes. Em uma coletânea de contos é normal encontrar contos que são sensacionais, alguns medianos e outros nem tanto assim, porém, Vilela conseguiu selecionar bem as obras que entraram no seu livro, você lê e não encontrar um conto do qual não goste.


Ganham destaques "A volta do Campeão", conto no qual um senhor cansado da monotonia de ficar em casa sai e volta a ser criança; "Monstro" que retrata bem nossa sociedade cada vez mais sensacionalista; "Surpresas da Vida", que traz um reencontro entre aluno e professo, relembrando os velhos tempos de escola, o que acontece também em "Primo", só que nesse último segredos guardados no íntimo chegam ao dia final e são revelados; "Carta", construído de forma epístola, traz uma confissão e uma sentença; "Um Rapaz Chamado Ismael", que se passa em um bar com flashback numa redação de jornal e traz um jovem jornalista desiludido com a profissão e "O Fim de Tudo", que nos alerta sobre o caos mundano em que estamos vivendo e o desmatamento que o homem causa na natureza.


Enfim, destaquei esses como mais marcantes, mas justamente para não falar de todos. Além dos citados, há outros que são muito bons e que notamos claramente que apesar de escritos há mais de 30 anos, possuem a qualidade de serem tão atuais quanto como se tivessem sido escritos hoje. As situações são verdadeiros retratos do nosso cotidiano, tem até coisas bem simples que nas mãos do Vilela um novo olhar. Como primeiro livro lido do autor, creio que seja uma ótima porta de entrada para aqueles que não conhecem seu trabalho.

Até logo!

8

Resenha #154: A Arte Do Descaso - Cristina Tardáguila

TítuloA Arte Do Descaso
AutorCristina Tardáguila
EditoraIntrínseca
Gênero: Não Ficção - História - Jornalismo
Ano: 2016
Páginas: 192

Adicione esse livro ao Skoob



Avaliação:




RESENHA



Em A Arte do Descaso, a jornalista mineira Cristina Tardáguila investiga o maior roubo a museu do país. Tudo aconteceu em 2006 durante o feriadão de carnaval. Enquanto os foliões estavam curtindo a festa no bloco das Carmelitas, quatro homens armados invadiram o museu Chácara do Céu, localizado no bairro carioca de Santa Teresa, renderam os seguranças e os cinco visitantes que estavam presentes e conseguiram roubar cinco peças que juntas, na época, chegavam a valer mais 10 milhões de dólares. Entre as obras furtadas estavam um A dança", de Pablo Picasso, "Dois balcões", de Salvador Dalí, "Marine", de Claude Monet, e "Jardim de Luxemburgo", de Matisse, além do livro "Toros", de Picasso

Em sua investigação, a jornalista percebeu várias dificuldades para realizar a pesquisa justamente porque tinha se passado alguns anos quando ela começou a coletar dados para a construção de sua obra. Ela viajou a países estrangeiros, teve palestras com grande nomes que investigam roubos e entrevistas com pessoas que estavam no museu no dia do crime. A principio o que encontrou foram poucas informações e uma grande falta de desempenho das autoridades para solucionar o crime que até então estava esquecido e sem solução alguma.


A narrativa é em primeira pessoa e apesar do livro se focar no roubo à Chácara do Céu, em alguns momentos, Cristina Tardáguila foge um pouco disso e fala de inúmeros casos mundiais de roubos de artes para exemplificar casos solucionados e tentar achar uma ligação com o que acontece aqui no Brasil com um ritmo de tirar o folego em alguns momentos e que pode agradar ao fãs de Dan Brown.


Para quem curte ates, o livro é um prato cheio de informações sobre obras famosas, o mercado negro de artes e peculiares curiosidades sobre esse mundo tão desconhecido. Mas além de tudo, o livro se manifesta e ressalta que não devemos deixar esse caso ser arquivado, ele precisa virar ação judicial até 2026 sob pena de deixar de ser considerado roubo. Ainda, infelizmente, há um certo tratamento inferior para esse tipo de crime pois as obras não são vistas como importantes ou parte de crimes.

A edição da Intrínseca está impecável. Folhas amareladas e uma fonte de bom tamanho e não foram encontrados erros de revisão. A edição ainda conta com ilustrações, incluindo algumas da Chácara e outras das obras furtadas. 

Att,
Pedro Silva

7

Resenha #153: Não Queira Saber - Lisa Jackson

TítuloNão queira saber
AutorLisa Jackson
Editora: Bertrand Brasil
Gênero: Ficção Americana
Ano: 2016
Páginas: 462


Adicione esse livro ao Skoob 



Avaliação:
 


Resenha

Já se passaram dois anos desde que o filho de Ava Garrison desapareceu, mas todas as noites ela sonha com o menino na beira do cais, e escuta ele chamando-a. Todos da família acreditam que Ava está com problemas psicológicos e que precisa superar a perda do filho, que provavelmente caiu no rio e morreu. Mas algo dentro dela diz que o filho não morreu, e que todos naquela casa parecem saber algo mais.


“O problema das mentiras é que elas continuam a crescer e, nem sempre, em linha reta. Às vezes se contorcem como uma cobra e em outras se dividem como uma árvore bifurcada. Também poder se espatifar e voar em todas as direções. Pedaços afiados da mentira vão parar nos lugares mais inusitados.” Pag:276
Ava é uma rica empresaria conhecida por ser dura e cruel, herdou uma mansão numa grande ilha afastada do continente, e comprou as partes dos outros parentes. Mas tudo desmorona, quando seu filho desaparece. Desde então ficou um tempo internada em um hospital psiquiátrico, tentou se matar, e vive sob o efeito de medicamentos.
É a essa historia que somos apresentados nas primeiras 100 páginas. Onde Ava tenta se livrar dos medicamentos, que podem está causando as alucinações, e enquanto é taxada de louca por todos os familiares tenta descobrir o que realmente aconteceu com seu filho.

A trama demora um pouco a tomar forma, e prender o leitor, sendo as primeiras 150 páginas de apresentação aos personagens, e onde Ava tenta manter-se estável e tenta descobrir em quem deve confiar. Mas logo a historia prende o leitor, pois em paralelo a busca de Ava pelo filho, assassinatos acontecem na pequena cidade próxima à ilha. E ainda, todos na ilha alegam ter visto Lester Reece, um criminoso que fugiu de Sean Cliff, um manicômio desativado anos atrás.
 “A mentira não se baseia em realidade e, portanto, não tem um fundamento firme e concreto. Em vez disso, baseia-se em areia movediça, pronta para sugar o mentiroso e enterrá-lo com suas inconsistências.” Pag:276

Ao começar a leitura, eu não esperava muito do livro, mas Lisa Jackson me surpreendeu. Ela consegue conduzir o leitor por um grande mistério, que parece cada vez mais sem saída. Por vários momentos chegamos a duvidar de Ava, e nós perguntamos se de fato ela não está sofrendo alucinações e com mania de perseguição, como a família alega. A cada capitulo ficamos mais presos a estória, e curiosos sobre as verdades que seria melhor não querer saber.

A autora consegue construir bons personagens, e ainda colocar um pouco de romance na trama, sem que isso se torne piegas, ou roube o foco do mistério central.  Já fazia algum tempo que não lia nada de suspense, e o livro me agradou bastante. Fica a dica para os apreciadores de uma boa historia de mistério e suspense.


Até logo!




11

Resenha #152: A Cor Púrpura - Alice Walker

Lido em: Março de 2016
Título: A Cor Púpura
Autor: Alice Walker
Editora: José Olympio
Edição: 10
ISBN: 9788503010313
Gênero: Ficção norte americana
Ano: 2016
Páginas: 356


Adicione esse livro ao Skoob

Avaliação:


RESENHA


A Cor Purpura é um romance epistola publicado originalmente em 1982, pela autora Alice Walker. Em 1983 o livro foi consagrado com o prêmio pulitzer de literatura e em 1985 foi adaptado para o cinema nas mãos do diretor Steven Spielperg.


Na trama vamos nos deparar com o sul dos Estados Unido, por volta do inicio e meio do séc. XX. As cartas são escritas por Celie, uma negra pobre que sofre abusos do padrasto sob o mesmo teto em que vive sua mãe e irmã. Por conta desses abusos, ela engravida, mas em nenhum momento tem suas crianças no colo. Sua história só piora quando ela perde a mãe e é obrigada a casar com um viúvo rude e perverso que tem por intuito fazer com que Celie ajude na criação de seus filhos.  O que parecia um pesadelo muda quando ela conhece Shug Avery, uma cantora que leva uma vida mundana realizando shows em bares (comportamento tido como inaceitável). Será essa mulher que ajudará Celie a não mais esperar o chamado de Deus, e sim ser protagonista de sua história e correr atrás do tempo perdido, mesmo com as feridas sofridas.

Este é um livro com um ritmo de leitura rápido pela construção total em cartas, porém, a leitura se torna densa quando são abordados os temas mais pesados de forma forte, sem amenização alguma, e é já nas primeiras páginas do livro que a autora faz um alerta, como se dissesse “te prepara, que eu não estou para brincadeira” e depois desse primeiro contato é sofrimento seguido por mais sofrimento.

Os temas são estupro, violência domestica, racismo, desigualdade de gênero e a submissão da mulher perante o homem, fortes na época em questão.

Os personagens são apresentados na perspectiva da Celie, que nos narra com os seus traços de pouca alfabetização com uma escrita fortemente influenciada pela linguagem oral, por isso exige uma atenção maior para não confundir quando ela está narrando e coloca uma fala de outro personagem.


O foco principal do livro são nas mulheres, o que é bem nítido. Mulheres fortes, que querem muito mais do que cuidar da casa, fazer o que o marido pede e viver isoladas do mundo. Ao contrário, querem liberdade, sair, conhecer o mundo, ter independência e seu amor correspondido na mesma medida que se doam, sendo ele convertido em compreensão e aceitação da mulher com instinto livre e autônomo.

A religião é um assunto que não agrada a muitos, cada um tem seu modo de vê-la e segue (ou não) a que bem deseja. Alice Walker abordou esse assunto de uma forma que abriu meus olhos e me fez rever meus conceitos sobre Deus em uma das cartas que Celie escreve para a sua irmã, fazendo do livro um dos meus favoritos. Ela me fez enxergar o quão bobo estava sendo em julgar Deus com base no homem, sendo que são coisas distintas em sua plenitude. Nenhum homem é Deus.


Mais do que tudo, A Cor Purpura é um livro que grita “somos livres com sede de liberdade para ir e voltar”. Walker mostra seus personagens caindo, sofrendo e se erguendo,  dando uma verdadeira volta por cima e perdoando toda a maldade que um dia passou, ou se arrependendo do mal que um dia fez. Por isso o livro é mais do que recomendado a todos.

Até logo,
Pedro Silva

11

Resenha #151: Simon Vs A Agenda Homo Sapiens - Becky Albertalli

Lido em: Março de 2016
Título: Simon Vs. a Agenda Homo Sapiens
Autor: Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção
Ano: 2015
Páginas: 272

Adicione esse livro ao Skoob

Avaliação:






Resenha:

Gay. Esta é a palavra que Simon possui dificuldade em externalizar. Garoto adolescente comum de ensino médio, Simon  não se sente nada confortável com a ideia de "sair do armário": este é um drama que ele prefere deixar para depois. Em um dia como outro qualquer, vê no Tumblr uma mensagem que chama sua atenção. Trata-se de um pequeno texto publicado por Blue, um garoto misterioso que não revela sua identidade. Blue e nosso protagonista acabam se tornando "amigos virtuais", compartilhando momentos através de e-mails anônimos, não comprometendo assim suas identidades.

Tudo muda, entretanto, quando Martin, um garoto da sua escola, acaba descobrindo a troca de mensagens entre os dois garotos. Uma chantagem camuflada começa a pairar no ar e, para não ter seu segredo espalhado para todos, Simon decide ceder. Neste clima de desavenças, pressão psicológica e busca pelo amor perfeito, embarcamos nas problemáticas de uma vida adolescente.

Quando se sai do armário, não dá para voltar. É meio apavorante, não é? Sei que temos sorte de estarmos fazendo isso agora, e não vinte anos atrás, mas ainda é um ato de fé. É mais fácil do que pensei, mas, ao mesmo tempo, é bem mais difícil.


Desde que havia visto os primeiros anúncios de publicação deste livro no Brasil, através das redes sociais da Editora Intrínseca, fiquei encantado e com muita vontade de desfrutar desta leitura. Todos que me conhecem sabe o quanto amo um bom Young Adult recheado de dramas e reviravoltas, e devo salientar que este é, definitivamente, um livro assim. Becky Albertalli nos faz, em diversos momentos, refletir. A questão mais recorrente no livro, como já dito acima, é a de orientação sexual. Através do Simon, percebemos o quão desgastante pode ser para alguém ter que assumir um papel que não o convém, uma fachada bela enquanto toda a estrutura está em ruínas.

Simon não possui medo de se assumir homossexual. Na verdade, ele sabe que todos os seus amigos e familiares irão entendê-lo, aceitá-lo e amá-lo, acima de tudo. Entretanto, ele não entende o motivo de ter que se assumir, enquanto os meninos héteros não precisam fazer isto. Todos deveriam se assumir como algo, não é mesmo? 

No decorrer da narrativa, acompanhamos a amizade entre Blue e Simon crescer, as trocas de confidências, desejos e momentos no dia a dia de cada um deles. A interação, aos poucos, começa a crescer, e as conversas, bem como as necessidades, acabam mudando. Os dois meninos descobrem que estudam na mesma escola, mas não sabem quem o outro é. Simon começa então a confabular, tentando adivinhar quem seria o tão misterioso garoto. Devo admitir que também tentei adivinhar quem era, mas acabei errando! Amei a forma como a autora conseguiu camuflar os detalhes, nos apresentando um Blue que não imaginaríamos. Preconceitos, tabus e estereótipos são, um a um, quebrados no decorrer da narrativa.


- Quero segurar sua mão - digo, baixinho. 
Porque estamos em público. Porque não sei se ele saiu do armário. 
- Então segure - diz ele. 
E eu seguro.

Imaginei que o livro seria muito bom, mas me enganei: ele é excelente. Possuindo um linguajar de fácil compreensão e escrita simples, torna-se agradável "flutuar" por entre as páginas do exemplar. Literalmente, podemos ler este livro em "uma sentada". A edição da Editora Intrínseca está impecável, tanto a diagramação quanto a capa, tradução e todos os demais pontos que um livro pode ter. Recomendo este título à todos, em especial para àqueles que possuem pouco conhecimento sobre homossexuais e que, por ignorância (notem que não falo preconceito, mas realmente por falta de informação), acabam propagando discursos totalmente desagradáveis. Um livro belo e simples, mas ao mesmo tempo intenso e imprevisível. 

Até logo,
Sérgio Henrique